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Porto Velho, Rondônia, Brazil
de repente sem ruído as unhas crescem os ossos esticam os dentes nascem o cabelo escurece os olhos aguçados a boca o peito o abdômen imutável a tumba confortável a tumba confortável a tumba só confortável só a tumba confortável

domingo, 3 de janeiro de 2010

Febre*

"o que eu sinto por ti é febre."

Malditos sejam os
antitérmicos
vetem o marketting
destes vilões!
pois essa febre me
enobrece...
Não que eu mereça,
mas deus,
fez teste pra pai?

Ingênuo*

Seu cheiro me acha
me entorpece
então ele rí de mim,
gargalha inocente,
incoerente
com meus olhos
coitados, dementes,
pedintes insistentes
do que foi sem ouvir.

Veneno*

Teus lábios são finos.
em meio ao
que presenciei não os via
assim.
mas agora penso bem,
desenho o teu rosto e
esmiuço o arpejo
o relampejo
a fineza louca do teu
beijo
percebo que não te
senti com a boca,
nem tampouco
com a minhalma
pouca...
eu te senti veneno,
morrendo, pasme, sem
ferir o lábio

Eu devorando*

Eu devorando como
uma aborígene,
com minhas mãos
grandes de dedos finos,
parecia selvagem
e sedenta,
eu via de perto
sem antíteses,
sem nenhum paradoxo,
veja só...
Falo doce e angelical (mente)...
e não enxergo
contradição,
fundiu-se
perfeitamente com a fusão do instante,
com a sensação da fusão.

Pistas*

"vem pra mim, pra nós e nossos nós..."

Vou, pois vou a sós,
me soltar nos (em) nós
Te soltar a voz,
sem nenhuma dor
te ouvir dizer:
"Ai, amor!"

Saciedade*

"Vem beber em mim..."

Sabe qual é o extremo da
saciedade?
Por meio segundo eu pensei
saber
E logo depois do
momento
penso ter conhecido o
extremo oposto
Esse depois se prolonga, eu
acho e perco o gosto.
Desejo?
Sinta o calor do
meu rosto

Eram 2*

Eram 2
Um enfrentou o mar,
um alternava entre os mundos,
um tinha Sol,
um tinha gelo,
um tinha a idade das pedras,
um não tinha idade,
nos dois um poço do olho ao pescoço,
um jazia,
um dançava no jazigo,
um comia,
mas um engolia,
um chovia,
um gemia,
um cantava,
um ria,
um sabia,
um amava,
simultâneo.